Santuário do Caraça (MG)

A história do Caraça começa em 1774, quando o irmão Lourenço decidiu ali construir uma capela, em uma área hoje preservada de 11 mil hectares, no contraforte da serra do Espinhaço, a 1,3 mil metros de altitude e a apenas 120 quilômetros de Belo Horizonte.

A capela transforma-se em pouco tempo numa igreja, pintada e dourada por Manoel da Costa Ataíde (1762-1837), também autor de um quadro da Santa Ceia que se conserva no local até hoje, assim como dois dos altares originais, com imagens de Nossa Senhora da Piedade e do Sagrado Coração.

O Santuário inclui, entre outras construções, o Museu do Caraça, com uma idade aproximada de 200 anos. Suas paredes já serviram como quarto do Irmão Lourenço, capela, sala de oração, local de reuniões e estudo, como é o caso do colégio interno por onde passaram mais de 10 mil alunos. Porém o ensino neste local teve um fim trágico na noite do dia 28 de maio de 1968, quando um incêndio destruiu aproximadamente 20 mil exemplares da biblioteca, além do teatro, juntamente com os três andares de sua edificação.

O Calvário, localizado em um jardim no alto de um morro bem próximo ao Museu, apresenta 14 imagens da Via Sacra, sendo que o plano central representa a crucificação de Jesus Cristo ao lado de seus pais João Evangelista e Nossa Senhora.

O estilo neogótico e a beleza dos vitrais são características marcantes na Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Sua estrutura foi inaugurada em 1883. Outro detalhe marcante desse atrativo, é o orgão da igreja, de rara unidade harmônica. A autoria dessa obra-prima é do marceneiro e músico Padre L. Boavida, que utilizou cerca de 700 tubos, 305 franceses, 153 portugueses e 242 com madeira da própria região do Caraça. Existe ainda dentro da Igreja, o corpo de um soldado romano - São Pio Mártir - que foi morto confessando a fé católica. Seus restos mortais foram encontrados nas catacumbas de Roma sendo os ossos cobertos com cera. O cálice ao lado do corpo contém um pouco de sangue do soldado misturado com areia.