 |
 |
|
 |
Casa da Flor (RJ)
Considerada
uma obra prima da arquitetura espontânea no país, a
Casa da Flor, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio
Cultural (RJ).
A casa
foi construída a partir de 1912, em São Pedro da Aldeia,
RJ, por um homem pobre, negro, trabalhador das salinas da região,
e que nunca freqüentou uma escola. Entre 1923 e 1985, quando
faleceu, Gabriel Joaquim dos Santos foi embelezando seu lar com
materiais recolhidos no lixo doméstico e no refugo das obras
civis do local, guiado por sonhos e uma fértil imaginação.
Para
artistas, intelectuais e arquitetos de renome no país, a
"Casa da Flor" é um bem cultural da maior relevância.
Manifestaram sua admiração por ela, em diferentes
ocasiões, entre outros, Alcides da Rocha Miranda, Ariano
Suassuna, Carlos Scliar, Lélia Coelho Frota, Ítalo
Campofiorito, Ferreira Gullar, Nise da Silveira, Carlos Byington,
Zanine, Paulo Coelho e Affonso Romano de Sant'Anna.
"Muitos
vão se surpreender mas, para mim, uma das obras mais importantes
da arquitetura brasileira é a Casa da Flor. ... Para mim,
é um exemplo raro de arquitetura espontânea, poética,
sem qualquer imposição. A fachada você jura
que é Gaudí."
Ariano Suassuna, Revista AU - Arquitetura e Urbanismo
Ano 16 - n.º 94 fev/mar 2001
"...é sobretudo a vitória de um homem pobre
sobre a banalidade aparente da vida, sobre sua condição
de pobreza e necessidade." "...aproveitava o que
não servia para mais nada, para ninguém, nem para
os pobres. Só para a beleza. E assim nos revelou a beleza,
a arte, como a última redenção possível
das coisas sem serventia."
Ferreira Gullar, poeta.
A
casa da flor, fica no alto de um outeiro, com uma escadaria de pedras
irregulares, tem vários jarros de flores petrificadas cujas
pétalas são formadas por cacos de pratos marcando
os níveis da escada. As
paredes da pequena construção são completamente
cobertas de pedaços de coisas quebradas, formando fores,
mosaicos e desenhos simétricos, compondo um bordado alucinante
e barroco.
Por
tudo isso, não há, os que ao visitarem, não
se surpreendam com a sua simplicidade e beleza. Em São Pedro,
um filho de escravos fez erguer um museu á capacidade do
homem transformar pedras e Iixo nos mais belos ornamentos.
|
 |
 |